Carta para o Zé

A promessa de deixares de fumar é uma promessa bonita, mas devias fazê-la à tua mãezinha, que essa é que deve estar preocupada com a tua saúde. A mim, basta-me que prometas que deixas de fumar em aviões e noutros locais onde eu também fui proibido (por ti!) de o fazer e que não finjas desconhecer a lei que com tanto orgulho criaste. Isto se eu ainda acreditar nas tuas promessas, claro.
Aproveito para te pedir que me expliques o que significa “calvinismo político”. Na universidade onde estudei ensinaram-me muitos conceitos mas devem ter-se esquecido desse. Se te referes a algum tipo de perseguição política, achas então que quando gente como eu te critica a torto e a direito é por motivações políticas? Para veres a que ponto chega a tua ignorância (ou má-fé) a este respeito, digo-te que ao longo da minha vida de eleitor o partido em que votei quase sempre foi o PS e nem uma única vez o fiz no PSD. Quanto a motivações políticas estamos, pois, conversados.
Só mais uma coisa: a tua mãezinha que não se ofenda por eu te estar constantemente a chamar filho da puta. Qualquer pessoa minimamente letrada (mesmo aqueles que não sabem o que é “calvinismo político”) sabe que não tenho intenção de ofender a mãe, mas sim o filho. A única coisa de que posso acusar a tua mãe é de não ter feito um aborto no dia em que nasceste. Bem sei que ela não imaginava estar a parir um crápula como tu e o aborto era ilegal, mas mais valia ela ter desrespeitado uma lei feita por outros do que andares agora tu a passar a toda a hora por cima das tuas próprias leis, que tanto gostas de me impor.
P.S. (salvo seja): Quando voltares a cometer mais um dos teus atropelos, remete-te ao silêncio, para teu próprio bem, porque, quando te tentas defender, a emenda é sempre pior do que o soneto e só serve aos tolos que insistem em desculpar-te tudo.






