Bananas da República

17 Maio 2008

Carta para o Zé


Zé:

A promessa de deixares de fumar é uma promessa bonita, mas devias fazê-la à tua mãezinha, que essa é que deve estar preocupada com a tua saúde. A mim, basta-me que prometas que deixas de fumar em aviões e noutros locais onde eu também fui proibido (por ti!) de o fazer e que não finjas desconhecer a lei que com tanto orgulho criaste. Isto se eu ainda acreditar nas tuas promessas, claro.

Aproveito para te pedir que me expliques o que significa “calvinismo político”. Na universidade onde estudei ensinaram-me muitos conceitos mas devem ter-se esquecido desse. Se te referes a algum tipo de perseguição política, achas então que quando gente como eu te critica a torto e a direito é por motivações políticas? Para veres a que ponto chega a tua ignorância (ou má-fé) a este respeito, digo-te que ao longo da minha vida de eleitor o partido em que votei quase sempre foi o PS e nem uma única vez o fiz no PSD. Quanto a motivações políticas estamos, pois, conversados.

Só mais uma coisa: a tua mãezinha que não se ofenda por eu te estar constantemente a chamar filho da puta. Qualquer pessoa minimamente letrada (mesmo aqueles que não sabem o que é “calvinismo político”) sabe que não tenho intenção de ofender a mãe, mas sim o filho. A única coisa de que posso acusar a tua mãe é de não ter feito um aborto no dia em que nasceste. Bem sei que ela não imaginava estar a parir um crápula como tu e o aborto era ilegal, mas mais valia ela ter desrespeitado uma lei feita por outros do que andares agora tu a passar a toda a hora por cima das tuas próprias leis, que tanto gostas de me impor.


P.S. (salvo seja): Quando voltares a cometer mais um dos teus atropelos, remete-te ao silêncio, para teu próprio bem, porque, quando te tentas defender, a emenda é sempre pior do que o soneto e só serve aos tolos que insistem em desculpar-te tudo.

13 Maio 2008

A Lei da Selva



Já uma vez mostrei uma fotografia com o ministro Manuel Pinho de charuto nos queixos em pleno avião.

Já muito se falou no presidente da PIDE/ASAE a desrespeitar a lei, pela qual mostra tanto zelo, no Casino do Estoril (ou de Lisboa, não me lembro, mas vai dar ao mesmo).

Para quem ainda tinha dúvidas sobre o mau carácter desta gentalha e ainda não conhece as novidades, que veja AQUI a pouca-vergonha que se passou, mais uma vez, a bordo de um avião da TAP fretado pelo governo, ou seja, fretado com o NOSSO dinheiro.

Finalmente, para chamar os bois pelos nomes, esta gente do governo da República das Bananas que vá toda para a puta que a pariu mais as suas leis que são feitas só para os outros. Repito: PUTA QUE OS PARIU a todos, mais a sua democraciazinha da treta! Trato-os com o mesmo respeito que me tratam a mim, cambada de filhos-da-puta! E quem não gostar das palavras, que as ponha na borda do prato...

08 Maio 2008

Postais do Oriente VI

(Aconselha-se a leitura do diálogo antes de olhar para a imagem)

– Então, amiguinho, como te chamas?
– Batman.
– Ah sim? E qual é o teu apelido?
– Suparman.
– E por falar em super-heróis, também tens alguma coisa a ver com Bin Laden?
– Bom... Também me chamo Bin.
– Pois... E tens identificação para provar tudo isso?
– Tenho. Está aqui:








04 Maio 2008

Chama Olímpica? Não, Chama(-se) Christina!



A chama olímpica passou por Macau no sábado, 3 de Maio, sem qualquer incidente. As gentes de Macau estiveram à altura, festejando a passagem da tocha e tornando o dia numa ocasião festiva. Até ia publicar aqui uma fotografia da imensa mole humana em Macau à espera da chama, mas um valor bem mais alto se alevantou.

No dia anterior, em Hong Kong, tinham-se registado alguns protestos, embora longe do circo que andou pelas ruas da Europa. A face mais visível do protesto (o tal valor mais alto) foi a jovem estudante hongueconguense de 21 anos, Christina Chan Hau Man, estudante de filosofia da Universidade de Hong Kong.

Como se pode avaliar pela imagem, foi o protesto mais bonito desde que a tocha começou o seu périplo mundial. Ou seja, apesar do protesto, ou graças a ele, Hong Kong ficou bem na fotografia. Como julgo ter ouvido voz anónima dizer, “se a Christina me convocasse, até eu protestava fosse contra o que fosse”. Não é declaração desprovida de sentido, digo eu...

01 Maio 2008

Os novos pedintes



Com tanta maleita, admira é que ainda esteja vivo...

23 Abril 2008

A Árvore das Patacas


Quando um chinês mo disse, achei que o homem estava maluco. Duas horas depois vi as notícias e, afinal, era mesmo verdade. O Governo da RAEM (Região Administrativa Especial de Macau), como paliativo para a inflação que se tem registado no território, decidiu dar 5000 patacas (quase 500 euros) a cada residente permanente de Macau e 3000 patacas a cada residente não permanente (para clarificar, residentes não permanentes são os que vivem em Macau há menos de sete anos).

A primeira reacção foi verificar no calendário se não seria hoje dia 1 de Abril. Constatei que não é. Depois magiquei na hipótese de se tratar de alguma medida eleitoralista. Impossível, já que o Chefe do Executivo (Edmund Ho, na fotografia) nem sequer é eleito, é nomeado. Não precisa de prometer, quanto mais de dar!

Já de cabeça fria, lembrei-me que em Portugal esta prática, afinal, também é corrente. O PM (Pseudo-Mastodonte) daí também não tem feito outra coisa se não distribuir o prejuízo pelos cidadãos e o lucro pelos compinchas. É uma forma diferente de distribuir, mas não deixa de se chamar distribuição.

18 Abril 2008

Viva a República Pideguesa!


Jorge Nuno Pinto da Costa (que agora se transformou em alvo preferencial da pidezinha portuguesa) e as jornalistas Felícia Cabrita e Ana Sofia Fonseca vão ser julgados por crime de ofensa agravada ao Ministério Público. Tudo porque as referidas jornalistas tiveram o desplante de, num livro biográfico sobre Pinto da Costa, incluir a seguinte afirmação do dirigente portista: «Não estou para viver num país onde a revolução de Abril acabou com a PIDE para agora a ver substituída pelo Ministério Público».

Haveria melhor maneira de o MP dar razão a Pinto da Costa do que julgando-o pela comparação por este feita? Haveria e há: julgando também as jornalistas que se limitaram a publicar uma frase do biografado. Tudo isto, aliás, na senda do que vem acontecendo há já algum tempo com jornalistas, bloguistas e outros que se arrogam o direito de ter opinião sem terem carreira política.

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem já por várias vezes condenou Portugal por estes abusos sobre a liberdade de expressão. O problema é que como esse Tribunal não tem poder para revogar penas dos tribunais portugueses, limita-se a aplicar multas ao Estado Português. E adivinhem lá, felizes contribuintes portugueses, quem é que paga essas multas... Seja como for, sem dúvida que é exagerado comparar o Portugal de hoje com o Portugal do Estado Novo. Nesses velhos tempos do Estado Novo, não se podia falar nem roubar, que era tudo crime. Agora, pelo menos, já só não se pode falar. Viver em democracia é outra coisa, temos de concordar.